PERDIDOS E ACHADOS
GUITARRADAS E CANÇÕES DE COIMBRA

UMA JUSTIFICAÇÃO
Decidi-me implementar este site e todo um longo trabalho de recuperação de matrizes sonoras para Guitarra de Coimbra, com o intuito de as RECUPERAR, SALVAGUARDAR e fazer ouvir às gentes d’aquém e d’além Mar, a guitarrada ao estilo de Coimbra, já que esta é um tanto sedentária.
Digo isto, pois em exemplo, uma obra editada no Norte do País, raramente chega ao Centro ou Sul e vice verso. Constatei isto, através da referência a obras editadas em Lisboa; que não eram conhecidas em Coimbra. Como tal, com este trabalho, todo o mundo terá acesso a uma amostragem muito alargada do repertório tradicionalmente interpretado na Guitarra de Coimbra, e de “BORLA “.
O site ficará estruturado em várias janelas intercomunicantes, algumas das quais sujeitas a futuras actualizações.


SECÇÃO I – AS MINHAS GUITARRADAS: conjunto de guitarradas compostas por mim desde os meus 15 anos. Não as julgo em beleza, mas suponho serem alegres, o que contraria a teoria de que o fado e tudo o que se relaciona com ele, é tristeza.
Cheguei a ter em mãos a preparação de uma edição de autor, mas desisti do projecto devido a burocracias.


SECÇÃO II – RARIDADES: esta, foi decididamente a parte mais difícil do trabalho. São guitarradas tiradas de cassetes particulares deixadas por guitarristas de Coimbra, antes de falecerem. Englobo neste caso os Drs. Afonso de Sousa, José Amaral e Armando Carvalho Homem. Algumas das guitarradas de Artur Paredes, foram também tiradas de cassetes, com base em discos de 78 rpm gravados particularmente por Alexandre Brandão. Alexandre Brandão, já falecido, residia no Porto e era o maior fã de Artur Paredes. Deslocava-se para todo o lado onde Artur Paredes actuava, acompanhado pelo filho Carlos e pelo viola Arménio Silva. Supostamente, estas obras eram registadas em gravador de fio de aço (1943) e depois transpostas para discos de 78 rpms não comerciais, pois Alexandre Brandão como funcionário numa estação de rádio tinha possibilidades de fazer esse trabalho de prensagem. Dessa data e até aparecerem os gravadores de fita magnética, distam muitos anos, como revelam as gravações que eu recebi, cheias de ruídos, pois os discos já tinham rodado milhares de vezes.
O “Lá Maior” do Dr. António Carvalhal é fruto de uma versão do Dr. Carvalho Homem, que a aprendeu com José Amaral. A “Chula” de Antero da Veiga foi tocada pelo amigo e guitarrista, José Paulo, pois eu não a sei e seria uma pena a sua falta no reportório coimbrão. O “Mi Menor” do Flávio Rodrigues, foi-me gentilmente cedido pelo amigo e guitarrista Dr. Móra Leitão, que o aprendeu há muito tempo ”entre dois cortes de cabelo”, com Fernando Rodrigues, irmão do guitarrista e barbeiro Flávio Rodrigues. Sobre o “Sol Maior” do Xabregas (Dr. Jorge de Morais), foi-me cedido pelo próprio ainda a residir em Oeiras. As “Variações do Fado em Dó”, arranjo do Flávio Rodrigues (sobejamente conhecidas) foram integradas nas “Raridades”, pois incluem uma parte em Dó Menor que é desconhecida da maioria dos tocadores. Esta versão foi tocada pelo José Paulo.
Poderiam também ficar incluídas nesta secção as últimas guitarradas do meu grande amigo e saudoso, João Bagão, que ainda em vida me pediu para eu ficar com a cassete das mesmas, ao qual eu me neguei, pois na altura achei que era duma grande responsabilidade tal acto, pois desconhecia o futuro ou seja a minha situação actual.
A cassete ainda existe (suponho) mas já diligenciei no sentido de a obter e não consegui. Como eu costumo dizer “A cultura é uma maior valia, mas tudo em contrário será uma maior “perdia” “. Nesta secção de “perdidos e achados” podemos referir peças de José Chochofel, Francisco Menano, Albano de Noronha e Miguel Peres de Vasconcelos.
Neste arquivo sonoro poderão entrar outras peças de “salvados”, sendo apenas necessário que me sejam entregues exemplares completos de uma determinada melodia, a qual será sujeita a reconstituição e divulgação.


SECÇÃO III - ARRANJOS PARA GUITARRA DE MÚSICA REGIONAL DE COIMBRA: esta começou por ser a parte mais fácil do trabalho, pois resultou de um trabalho de arranjo sobre músicas presentes no disco “OLHAR COIMBRA”, (editado em 1998). Os executantes de Guitarra de Coimbra estão mais habituados a interpretar canções provinciais portugueses, mas não oriundas de Coimbra, como sucede com “Bailados do Minho”. No entanto, as canções e danças tradicionais de Coimbra foram muito tocadas em viola de arame e na guitarra, como se pode ver pelos “motivos regionais” gravados por Antero da Veiga, pelo repertório de Flávio Rodrigues e mesmo por títulos gravados por Borges de Sousa (“Ronda pelas Fogueiras”). Contam-se nesta amostragem lunduns, marchas, a famosa Giga de Coimbra, a Noite Serena, o Beijo, o Balancé da Neve Pura, o valseado Sou Marinheiro, polcas, mazurcas, o comovente Choradinho, a Tricana de Aldeia, o Moleirinho com pomposo ar revolucionário, o Esta Calçadinha (celebrativo do Largo do Romal) e tantos outros.


SECÇÃO IV - SALVANDO OS 78Rpm’s: foi também um trabalho difícil embora em menor número. Constou no resgate de guitarradas gravadas em cassetes, que por sua vez foram tiradas de discos de 78 já desaparecidos ou apenas existentes em inacessíveis colecções particulares.


SECÇÃO V - RECORDANDO ARTUR PAREDES EM 78 Rpm’s: numa obra destas não poderia esquecer NUNCA o meu grande e saudoso amigo Artur Paredes, o Mago da Guitarra de Coimbra, aquele que a fez tanto no aspecto físico, como em sonoridade. É graças a ele que temos todo o nosso presente musical. Também não poderia esquecer o MESTRE que em vésperas de sucumbir a uma operação ao estômago me abraçou a chorar e me disse:”amigo Frias desta vez é que Deus me vai levar”.
Como tal, espero ter copiado fielmente o seu reportório em 78Rpm’s.


SECÇÃO VI - GUITARRADAS CONHECIDAS DE OUTROS AUTORES: este lote foi o 1º que eu fiz quando comecei a trabalhar em computador. Não quer dizer que esteja mal estruturado, mas como perdi as matrizes não lhes pude fazer melhoramentos de aspecto técnico. Espero futuramente gravá-las de novo. São guitarradas editadas mas NUNCA ouvidas nas nossas estações de rádio. Desta afirmação excluo o Emissor Regional de Coimbra.


SUPORTES TECOLÓGICOS
Para todo este aparato, tive de construir um pequeno estúdio como podem ver nas imagens acima incluídas. O som foi captado e trabalhado com o portentoso Software de áudio “CUBASE SX”. BOA AUDIÇÃO e BOA APRENDIZAGEM!

FRIAS GONÇALVES